Jumper, office frogging, quiet quitting, loud quitting. Os nomes mudam, mas a sensação permanece: ninguém quer mais “ficar”. O Brasil vive um cenário preocupante, e ao mesmo tempo revelador. Somos o país com a maior rotatividade de trabalho do mundo: 56% ao ano, segundo a mais recente análise do IDados (baseado na PNAD Contínua).
Mas o que está por trás dessa estatística? Seriam os jovens realmente instáveis? Ou o modelo de trabalho é que ficou ultrapassado?
Um novo comportamento (e um velho sistema)
Os profissionais da chamada Geração Z, que hoje já representam um quarto da força de trabalho brasileira, buscam mais que salário. Eles querem propósito, respeito, saúde mental, flexibilidade, desenvolvimento e coerência com seus valores.
Só que quando não encontram isso, não hesitam em sair. E saem rápido: 9 meses é o tempo médio que um jovem de 18 a 24 anos permanece na empresa.
Os dados impressionam:
• 77% dos desligamentos no Brasil ocorrem antes de 1 ano de vínculo.
• Em bares e restaurantes, o turnover chega a 77,6%.
• 6,5 milhões de pessoas pediram demissão em 2023.
• O custo de uma única demissão pode chegar a 5 vezes o salário mensal do funcionário.
Cansaço, incoerência e cultura engessada
A maioria dos jovens que pediu demissão em 2024 já tinha outra vaga em vista. Mas para os que saíram sem rumo definido, os motivos foram claros: salários baixos, ambientes tóxicos, falta de reconhecimento ou jornadas sem flexibilidade.
Eles não têm medo de sair. O medo real é ficar onde não há escuta, crescimento ou qualidade de vida.
De um lado, temos empresas que ainda operam com lideranças centralizadoras, regras rígidas e pouca abertura para diálogo. De outro, profissionais que esperam retorno imediato, pouco toleram frustrações e desistem antes do processo de amadurecimento.
E quem paga essa conta?
Todo mundo perde.
As empresas perdem cultura, know-how, tempo e dinheiro. Os profissionais não colhem os frutos da experiência, e muitas vezes saem sem nem saber o que estão buscando.
Como avançar?
A resposta não está em culpar apenas a nova geração ou as velhas estruturas. O que precisamos é de maturidade dos dois lados.
• Empresas: precisam adaptar sua cultura, oferecer desenvolvimento real, criar espaços de escuta e ter clareza nas entregas esperadas.
• Profissionais: precisam entender que propósito também se constrói, que reconhecimento exige consistência, e que não existe ambiente perfeito, mas sim relações construídas com diálogo.
O futuro do trabalho exige novos acordos
Não basta mais crachá ou propósito no papel. É preciso coerência entre o que se diz e o que se faz.
É preciso um mercado onde as pessoas fiquem por escolha, não por medo. Onde a permanência tenha sentido, e não apenas estabilidade. Porque nenhuma geração vai prosperar em um sistema desequilibrado.