Quanto mais a ia avança, mais valioso fica o que ela não consegue fazer

A inteligência artificial já ocupa um espaço importante dentro das organizações. Automatiza análises, produz relatórios, organiza informações, apoia decisões e executa tarefas que, até pouco tempo atrás, consumiam horas de trabalho especializado.

Com esse avanço, uma questão começou a ganhar espaço dentro das empresas: quais atividades continuarão dependendo essencialmente das pessoas?

Boa parte da atenção em torno da inteligência artificial ainda está voltada para aquilo que ela poderá automatizar dentro das organizações. Os estudos mais recentes sobre futuro do trabalho, porém, apontam para outro movimento. À medida que a tecnologia assume atividades repetitivas e previsíveis, cresce o valor das competências relacionadas ao julgamento, à criatividade, à interpretação de contexto e às relações humanas. Isso acontece porque executar uma atividade e responder pelas consequências dessa atividade continuam sendo coisas diferentes.

Uma inteligência artificial consegue resumir documentos, identificar padrões em grandes volumes de dados e sugerir alternativas para problemas complexos. Mas continua dependendo das pessoas para definir quais perguntas precisam ser feitas, quais riscos precisam ser considerados e quais impactos uma decisão pode gerar para clientes, equipes e negócios.

O Fórum Econômico Mundial vem chamando atenção exatamente para esse ponto. Entre as competências que mais devem ganhar importância nos próximos anos estão pensamento analítico, criatividade, curiosidade, liderança, influência social e aprendizagem contínua. São habilidades humanas que tendem a gerar ainda mais valor quando combinadas à tecnologia.

Isso explica porque o conceito de Brain Capital vem ganhando espaço nas áreas de liderança e gestão de pessoas. A ideia parte do entendimento de que capacidade cognitiva, pensamento crítico, criatividade, saúde cerebral e habilidades socioemocionais se tornarão ativos estratégicos em um mercado cada vez mais apoiado por inteligência artificial.

Na prática, algumas responsabilidades continuam exigindo repertório humano.

A primeira delas é o julgamento e a tomada de decisão. A IA consegue apresentar cenários e alternativas, mas continua dependendo de alguém para interpretar contexto, equilibrar interesses e assumir responsabilidade pelas escolhas realizadas.

Outro ponto é a construção de relações e confiança. Liderança, negociação, influência, gestão de conflitos e desenvolvimento de equipes continuam acontecendo principalmente através das interações humanas.

A criatividade também ocupa um espaço importante nesse cenário. Fazer perguntas novas, conectar conhecimentos de áreas diferentes e imaginar soluções que ainda não existem continua sendo uma das grandes vantagens competitivas das pessoas.

O mesmo acontece com ética e responsabilidade. Quanto maior a presença de algoritmos apoiando decisões, maior passa a ser a necessidade de supervisão humana para avaliar riscos, impactos e consequências não previstas pelos modelos.

O desenvolvimento de pessoas é outro exemplo evidente. Feedback, mentoria, reconhecimento e construção de cultura organizacional dependem de repertório emocional, escuta e compreensão das particularidades de cada contexto.

Diversas pesquisas mostram que o avanço da inteligência artificial não reduz a importância dessas competências. Em vários casos, ele aumenta o valor econômico delas dentro das organizações.

A inteligência artificial continuará transformando tarefas, processos e modelos de trabalho. As empresas mais preparadas para esse cenário tendem a ser aquelas que investirem, ao mesmo tempo, em tecnologia e no desenvolvimento das capacidades que continuam sendo essencialmente humanas.

A vantagem competitiva dos próximos anos provavelmente não estará apenas nos algoritmos utilizados pelas empresas, mas na qualidade das decisões, das relações e da capacidade de aprendizagem das pessoas que trabalham ao lado deles.

Fontes: O Futuro das Coisas, We fórum, Mckinsey, Forbes, Correio Braziliense

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