A agenda de quem ocupa uma posição de liderança ficou consideravelmente mais ampla. Além de acompanhar indicadores, tomar decisões e desenvolver equipes, gestores passaram a lidar com a adoção de inteligência artificial, processos constantes de mudança, saúde mental, retenção de talentos e novas formas de organização do trabalho.
O desafio não está apenas na quantidade de responsabilidades. Está no fato de que muitas delas surgiram em um intervalo relativamente curto, enquanto processos, estruturas e programas de desenvolvimento nem sempre evoluíram na mesma velocidade.
Essa percepção aparece em diferentes pesquisas sobre o futuro do trabalho. O relatório 2025 Global Human Capital Trends, da Deloitte, mostra que 73% das organizações reconhecem a necessidade de reinventar o papel do gestor, mas apenas 7% afirmam estar fazendo avanços significativos nessa direção. O mesmo estudo aponta que 66% dos executivos e gestores consideram que profissionais recém-contratados ainda não chegam preparados para as demandas do trabalho, o que amplia a responsabilidade das lideranças no desenvolvimento das equipes.
Outro levantamento, o Work Trend Index 2025, da Microsoft, revela que 80% dos profissionais afirmam não ter tempo ou energia suficientes para realizar seu trabalho, enquanto 53% das lideranças dizem que precisam aumentar a produtividade das equipes. Nesse contexto, os gestores acabam ocupando uma posição delicada: precisam entregar resultados, conduzir a incorporação da inteligência artificial e, ao mesmo tempo, apoiar pessoas em um ambiente de trabalho que se tornou mais complexo.
Esse cenário ajuda a explicar por que o desenvolvimento de lideranças voltou ao centro das estratégias de gestão de pessoas. Conhecimento técnico continua sendo importante, mas já não responde sozinho às demandas da função. Liderar passou a exigir capacidade de adaptação, leitura de contexto, tomada de decisão, comunicação e desenvolvimento contínuo das equipes.
Preparar líderes hoje também significa revisar a forma como o trabalho está organizado. Distribuir responsabilidades, reduzir atividades que pouco agregam valor e criar condições para decisões mais qualificadas são iniciativas que fortalecem a liderança e contribuem para resultados mais consistentes.
A evolução do papel do gestor é uma consequência natural das transformações que o mercado vem atravessando. O desafio das organizações agora é garantir que essa evolução seja acompanhada por estruturas, processos e desenvolvimento compatíveis com as responsabilidades que passaram a fazer parte da liderança.
Fontes: Deloitte 1, Deloitte 2, Microsoft, Microsoft WorkLab, World Economic Forum, Gallup, Starte-se