Desenvolvimento contínuo de habilidades

O mundo está continuamente evoluindo, e neste movimento estamos nós, contribuindo com esta evolução. São desenvolvimentos que se alimentam, que se cruzam, nosso desenvolvimento interno depende do externo e vice-versa. Vivemos um momento de transformações aceleradas, a exemplo da velocidade das mudanças e inovações tecnológicas, muitas incertezas, novos formatos de trabalho, profissões emergindo, variáveis desconhecidas e que não dominamos ainda, compondo um cenário desafiador, que potencializa a importância do conhecimento e do desenvolvimento contínuo de habilidades.

Além do aperfeiçoamento de habilidades técnicas específicas, chamadas hard skills, este movimento acelerado e disruptivo do mundo, tem exigido dos profissionais o olhar atento e o esforço direcionado ao constante aprimoramento de soft skills. Uma pesquisa da CareerBuilder, revelou que, para 77% dos empregadores, as soft skills são tão importantes quanto os conhecimentos técnicos. O cenário muda e as habilidades exigidas para acompanhar esta mudança também, requerendo atenção dos profissionais e das empresas.

As organizações têm investido em educação e aprendizado contínuo, como estratégia competitiva, que agrega valor e riqueza. Uma pesquisa conduzida pela consultoria Bersin by Delloite revela que “empresas que apoiam a cultura de aprendizado aumentam suas chances de se tornarem líderes de mercado em pelo menos 30%”. Instituições que valorizam e desenvolvem a cultura do conhecimento obtém ganhos relacionados a atração e retenção de talentos, fortalecimento da marca, melhoria de performance e produtividade, aumentando seu potencial de inovação e crescimento.

As empresas estão cada vez mais atentas e dedicadas a promover ações que estimulam o aprimoramento e desenvolvimento contínuo das habilidades de seus colaboradores, mas esta não é uma responsabilidade apenas das organizações. Por sua vez, os profissionais para serem capazes de acompanhar os avanços e as frequentes mudanças no mercado, precisam se comprometer com seu desenvolvimento e aprimoramento, tornando-se agentes ativos nesta jornada.

Importante que o profissional esteja atento às tendências e inovações no cenário global e no ambiente corporativo, bem como consciente quanto às suas habilidades e competências, investindo de forma disciplinada e regular no aprimoramento destas, a fim de acompanhar os desafios da atualidade, mantendo seu valor, em um constante movimento de transformação e troca com a empresa. O desenvolvimento de soft skills requer interesse, curiosidade e autonomia, pode ser formal ou informal, mas deve ser contínuo. Como afirma Sócrates “a alegria que se tem em pensar e aprender, faz-nos pensar e aprender ainda mais”.

Inevitavelmente, na atualidade quase tudo que pensamos, planejamos e discutimos, está, de alguma forma, correlacionado ou sendo influenciado pelo cenário pandêmico. Nossas expectativas quanto ao futuro, trabalho e carreira, sofreram diversas alterações e, além disso, ainda estamos vivendo momentos desafiadores, com incertezas. Este cenário, associado à velocidade das mudanças tecnológicas, exigências e transformações constantes no mundo corporativo, pode gerar em cada um de nós, de maneiras e níveis diferentes, impactos na saúde física e emocional. Por isso, as organizações têm dado maior destaque e este tema, considerando a sensibilidade do assunto e seus desdobramentos, um deles na produtividade.

Um estudo liderado pela OMS estimou que os “transtornos depressivos e de ansiedade custam, em perda de produtividade anual, cerca de 1 trilhão de dólares à economia global” . Obviamente, afetam também o rendimento no trabalho fatores relativos às habilidades e conhecimentos técnicos, porém, no momento, efeitos associados ao estresse, têm sido preponderantes nos resultados e na performance das pessoas. A ISMA-BR (International Stress Management Association Brasil), aponta que 30% dos profissionais brasileiros sofrem da Síndrome de Burnout, termo de origem inglesa que significa esgotamento, referindo-se à exaustão extrema provocada pelo estresse no trabalho. 

As estratégias para lidar com este cenário, não são responsabilidade apenas das empresas, mas a corresponsabilidade na proposição de soluções e na criação de programas customizados voltados a gestão da saúde, mostra-se eficiente e sustentável, possibilitando ganhos para profissionais e organizações. As pessoas vêm investindo com maior intensidade na busca de informações referentes a saúde mental e bem-estar no trabalho, na realização de cursos com foco em inteligência emocional, desenvolvimento pessoal e autoconhecimento, contando também com ajuda profissional especializada na obtenção do equilíbrio pessoal e profissional. E, as organizações, sob o olhar atento e cuidadoso do RH estratégico, tem atuado para colocar em prática iniciativas que objetivam reverter este contexto, provocando mudanças consistentes de cultura e clima.

Promover o engajamento dos líderes neste processo, ajudando-os no exercício da empatia, na prática de feedbacks humanizados, no estabelecimento do canal aberto e transparente de comunicação, inclusive para que este assunto não seja visto como tabu, são algumas das várias práticas que caminham na direção da melhoria e preservação da saúde emocional das pessoas, bem como da produtividade nas empresas.  Repensar a qualidade de vida e o conceito de alta performance tornou-se estratégico no ambiente corporativo, não apenas como resposta para lidar com o cenário atual, mas como pilar importante na gestão de pessoas.

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